Márcio Cerbella – Inspiração e Estratégia
Conteúdos que despertam a criatividade, desafiam limites e impulsionam a inovação.
Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Livro de Visitas Contato Links
Textos

A morte não existe.

Mas a ausência dói

porque o amor também tem seus egoísmos.

A gente quer mais.

Mais uma conversa.

Mais um conselho.

Mais um abraço.

Mais um domingo.

Mais uma chance de dizer

o que deixou para depois.

Mesmo quando o outro

já deu tudo o que podia.

Já caminhou conosco

o trecho que lhe cabia.

Já deixou palavras,

gestos,

histórias,

aprendizados,

silêncios

e pedaços de si

morando em nós.

Mas quase nunca basta.

Queremos que fique.

Que responda.

Que continue disponível

para as nossas perguntas,

nossas carências,

nossos medos.

Fazemos isso a vida inteira.

Queremos dos filhos

o que eles não podem dar.

Dos pais,

o que talvez nunca souberam oferecer.

Dos amores,

o que não lhes pertence.

Dos amigos,

uma presença

que às vezes já não cabe.

E até de quem partiu

continuamos querendo alguma coisa.

Como se amar

nos desse direito

à permanência.

Não dá.

Amar também é compreender

que o outro não veio

para preencher todos os nossos vazios.

Veio para caminhar conosco

enquanto podia,

enquanto queria,

enquanto a vida permitiu.

E, às vezes,

quando ainda achamos

que nos deve presença,

ele já cumpriu sua parte.

Talvez a saudade doa tanto

porque custa aceitar

que o amor pode continuar

mesmo quando o outro

já não pode mais nos dar nada.

Nem resposta.

Nem colo.

Nem tempo.

Nem presença.

E então sobra para nós

a parte mais difícil do amor:

receber o que ficou

sem continuar cobrando

o que não pode mais vir.

Porque, às vezes,

o que recebemos

já era tudo.

E era muito.

Marcio Cerbella
Enviado por Marcio Cerbella em 05/10/2026
Comentários
Seja Fora do Normal R$ 59,90
Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Livro de Visitas Contato Links