Um samba meio torto, meio louco, inteiramente bamba.
Um samba, um sambinha, um sambão
Coisa de preto bamba
Na boca do branco
Que o samba tocou
O surdo encantou
O berimbau chamou
E o grito gritou no agogô Clamando ser antifascista
E antirracista
Liberdade na roda dos bambas!
Um samba, um sambinha, um sambão!
O surdo ouviu
O mudo gritou
O branco sambou
O preto inventou
O samba sambou
E ninguém perguntou
Quem foi que mandou
O samba ser samba
Se o samba já é!
Um samba, um sambinha, um sambão!
O berimbau bateu palma
O pandeiro jogou capoeira
A cuíca perdeu a voz
De tanto gritar na feira!
O agogô gritou silêncio
O silêncio fez confusão
O fascista pediu licença
E o samba disse que não!
Não, não, não! Não, não, não! Não tem fascismo no samba Nem racismo no refrão!
Um samba, um sambinha, um sambão
Coisa de preto bamba
Na boca do branco
Na palma da mão
Na sola do pé
Na contramão da contradição!
Quem samba não manda Quem manda não samba? Quem samba comanda
Ou desmanda a banda?
E o samba?
O samba sambou!
Um samba, um sambinha, um sambão!
O surdo encantou
O berimbau chamou
O agogô agogou
O tambor tamborou
O grito gritou
E a roda rodou!
Rodou, rodou, rodou
Até que o mundo girou
E o mundo, que era tão grande
Na roda dos bambas coube Mas o preconceito não entrou!
Um samba! Um sambinha! Um sambão!
Coisa de preto bamba
Na boca do branco
Que o samba tocou
O surdo encantou
O berimbau chamou
E o grito gritou no agogô!
Antifascista! Antirracista! Liberdade na roda dos bambas!
E quem não entendeu
Que venha entender
Que o samba não pede licença Pra ser o que nasceu pra ser!
Um samba, um sambinha, um sambão...
E o samba sambou. Sambou, sambou, sambou...
E não acabou!
É só o começo De outro sambão!
e a revolução cabe inteira num refrão!
Um samba, um sambinha, um sambão...